Dicas de snowboard : Snowboard et al.

Big thumb bind2

SNOWBOARD BINDINGS

8 dias Ago

                                                            BINDINGS REVIEW


1 – UNION CONTACT (U$ 210)


De todos os bindings que usei na última temporada, talvez o UNION CONTACT tenha sido o que mais gostei. É um binding pra uso em park, ideal para iniciantes até avançados, indicado para quem está ainda progredindo e busca performance, segurança e bom preço.

A seguir veremos quais são as principais características que fizeram este binding aparecer em primeiro na lista.

São várias as razões, mas as diferentes tecnologias encontradas nesse binding o fazem ser especial. A começar por detalhes menos importantes como o Duraflex Mini Disc (disco que prende o binding às furações da prancha) com seu tamanho reduzido permite que a conexão entre o binding e a prancha tenha um movimento mais livre e natural (flexibilidade).

Outro ponto interessante é a composição dos materiais: “Dual Component System”, Nylon no baseplate e alumínio no suporte do highback, características que combinadas trazem menos peso e durabilidade ao equipamento.

Em termos de performance é um binding bem flexível, mesmo tendo alumínio no suporte, algo não muito comum nos bindings atuais, a combinação de rigidez do “highback loop” com o nylon do baseplate o torna ideal para manobras no park como giros nos saltos e ajustes na posição (equilíbrio) em jibs e rails, é um binding menos sensível a pequenos movimentos.

Um dos pontos mais interessantes é o “toe strap” (fivela que prende na parte da frente da bota) feito de borracha bastante flexível, fácil de ajustar e que se prende à bota de maneira muito mais eficiente que os demais bindings testados por mim nessa temporada.

Outros detalhes que valem a pena mencionar são a capacidade de ajuste da distância do highback loop (aumentando e diminuindo o tamanho da área para a bota) e o sistema de “toolless” para ajuste dos straps (fivelas que prendem a bota) sem a necessidade de ferramentas também é algo interessante.

Em geral um binding muito bom, por um preço melhor ainda. Porém, nem tudo são flores, o que não gosto nesse binding?

Apesar de ter o baseplate todo coberto por uma espécie de espuma (em cima e embaixo), senti que após algumas horas meus joelhos começaram a doer por excesso de impacto. Os bindings da UNION trazem diferentes densidades desse “baseplate foam”, mas nesse modelo em particular entendo que o conforto foi deixado um pouco de lado.

PROS:

Mini Disc System

Componentes leves

Flexibilidade

Toe Strap

PREÇO*

CONTRA:

Baseplate sem muito amortecimento comprometendo conforto.

MODELO 2019:

Pelo que pude observar, todas as características desse modelo foram mantidas em 2019, exceto pelas cores.



2 – BURTON MALAVITA (U$ 320)


O BURTON MALAVITA não é meu preferido da última temporada, é meu preferido de todos os tempos. Uma expressão em Português que define esse binding perfeitamente é: “pau pra toda obra”.

Se você procura performance, conforto e durabilidade, esse é o binding ideal em qualquer cenário na prática do snowboarding, uma excelente combinação com pranchas “All Mountain”.

Totalmente ajustável sem o uso de ferramentas, feito com materiais leves e resistentes (Short-Glass/Nylon), também traz algumas tecnologias interessantes como “The Hinge”, uma articulação entre o baseplate e o “heel cup loop” permitindo mais flexibilidade ao binding, porém, essa tecnologia somente é encontrada na versão EST do MALAVITA.

O Highback construído para este modelo traz mais eficiência e conforto através da tecnologia chamada “Heel Hammock”, espécie de material super aderente que fica em contato com a parte de trás da bota.

Como todos os bindings da BURTON, o MALAVITA é vendido em dois modelos diferentes, o EST e Re:Flex. O EST somente pode ser usado em pranchas com a tecnologia “The Channel” que você pode encontrar em marcas como BURTON e ENDEAVOR. Esse tipo de montagem permite maior ângulo e variedade de posições e também ajustes extremamente rápidos que podem ser feitos com uma pequena ferramenta sem soltar os parafusos.

Já o modelo Re:Flex vem com disco adaptável a qualquer prancha 4 x 4 e até mesmo para uso em pranchas com o sistema “The Channel”. A fim de conferir maior flexibilidade os discos Re:Flex são feitos com material extremamente resistente e com sessões ocas dando leveza e movimento mais fluído.

Porém, o mais importante para mim é o conforto aliado à performance, características quase que contraditórias na maioria dos bindings. O footbed é construído com material bastante absorvente, o que ajuda a reduzir significativamente o impacto nas articulações dos tornozelos e joelhos, ainda existe a tecnologia B3 Gel na área do calcanhar. Se você não tem mais 18 anos e joelhos de aço, esse binding vai fazer uma grande diferença no final dia.

Em resumo, um excelente equipamento para combinar com sua prancha All Mountain entregando conforto e performance em park, groomers, powder, etc.

O que eu não gosto nesse binding? Embora a maioria dos reviews irá dizer que o “Toe Strap” é feito com material super aderente “Supergrip Capstrap”, a verdade é que o formato da fivela não se adapta à maioria das botas que usei com esse binding. Isso faz com que muitas vezes o “strap” se desloque, saindo da posição e comprometendo o controle da prancha. O excesso de material poderia ter sido substituído por algo mais simples e eficiente.

PROS: Excelente material, Conforto, Performance

CONTRAS: Preço, Toe strap.



3 – NITRO TEAM (U$ 270)

 

O NITRO TEAM merece estar na lista por ser o preferido de feras como Marcus Kleveland, Bryan Fox, Austin Smith’s e outros. Se você está pensando em se tornar o próximo expert em Parks, esse talvez seja um belo parceiro nessa jornada.

A própria marca e alguns reviews dirão que esse binding é confortável, mas honestamente ele está longe de modelos como o MALAVITA nesse quesito. Isso porque o flex rating é de 7 (de 1 a 10), natural em bindings de alta performance e principalmente porque contém materiais bastante rígidos como o alumínio do heel cup loop.

Mesmo que tenham adicionado à área do calcanhar o que chamam de “Nitro Air Dampning” a fim de absorver o choque do contato da prancha com o terreno em saltos e manobras, a sensação que tive foi de muita transferência de impacto para articulações, o que além de causar dor pode comprometer seu desempenho se usado com frequência.

A exemplo dos outros modelos, algo curioso é que se a marca acerta no “ankle strap” vai errar e errar feio no “toe strap” ou vice-versa. Esse modelo não é diferente, trazendo o “ankle strap” com excesso de material, aumentando o peso do equipamento principalmente com a absorção da neve / água pela porosidade do material.

A tendência atual é de fabricação dos straps com materiais plásticos, resistentes e sem acolchoamento, o que pode comprometer sensivelmente o conforto, mas que confere menos peso e mais eficiência.

Se eu indico esse binding? Apenas se você já tem outro binding mais versátil e está pensando em evoluir no freestyle com um equipamento mais específico voltado ao park e suas manobras.

Não é um binding barato, por isso trata-se de uma opção para quem realmente não está preocupado com o preço e resultado, porque no final das contas não existe milagre, seu nível de habilidade no snowboarding é fruto muito mais de aspectos pessoais e treino do que o equipamento isoladamente.


PRO: Performance em park.

CONTRA: Preço alto para um binding bastante específico.



4 – NOW IPO (U$ 210)

 

Esse é um binding com tecnologia inovadora, divertido de usar e com baixo preço. Além de tudo isso, com o melhor footbed do mercado. Até agora não encontrei em outras marcas qualquer modelo com footbed tão confortável e que proteja suas articulações dos impactos dos saltos e desníveis do terreno.

A NOW desenvolveu a tecnologia SKATE TECH com inspiração nos “trucks” utilizados em skates convencionais. Para isso a montagem do disco que prende o binding à prancha é feita através de uma articulação (king pin) que se conecta ao restante do binding e com suporte de buchas nas extremidades.

Essas buchas, pequenos pedaços de material com diferentes densidades são responsáveis por absorver o impacto e proporcionar mais sensibilidade, podendo ser substituídas de acordo com os diferentes tipos de terreno e estilo de riding.

A ideia é dar algo como “skate feeling” ao snowboard. Apesar de ser um binding considerado “all mountain” senti grande diferença (para melhor) em giros como 180’s e 360’s, provavelmente pelo ângulo mais inclinado do “highback”, característica que pode qualificar esse binding como uma boa opção para freestyle.

Embora ainda seja uma marca desconhecida, tenho visto muitos riders locais de Whistler usando tanto nas pranchas de park quanto em all mountains. É visível que os materiais utilizados pelo menos neste modelo de entrada, o IPO, não são de grande qualidade, mas o binding entrega com sobra o resultado esperado em relação ao preço.

O grande problema desse modelo (2018) é o “toe strap”, feito de plástico de má qualidade e pouco adaptável ao formato da bota, sendo bastante comum ficar completamente solto durante as descidas, fato que pode causar a perda parcial do controle da prancha.

PROS: Footbed, tecnologia Skate Tech, PREÇO!

CONTRAS: Baixa qualidade dos materiais e definitivamente o toe strap.

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